domingo, 13 de dezembro de 2015

Yoko no céu

Yoko no céu

Yoko and John
John and Yoko
dançam no céu
dançam,  dançam
fazem amor
na sua peace bed
e protestam, protestam
mais uma vez,
desta vez
pela falta
de amores

na vida de todos nós.

domingo, 28 de abril de 2013

Adventures

But God he is




If God

was a person

he would have

a man in his mind

a woman in his body

a child in his soul.



02.10.92

Adventures

In-visible world




People are blind

they can't see

each other change,

the others think

the others pass

see people smile

see people shut

see people shine

But they are there.



24.09.92







Mundo In-visível



As pessoas são cegas

elas não veem

as outras mudaram

as outras pensarem

as pessoas passarem

as pessoas sorrirem

as pessoas calarem

as pessoas brilharem

Mas estão lá.



24.09.92

domingo, 10 de março de 2013

O Trópico de Capricórnio




Mr. Miller

caminha e para

diante dum espelho

Abre lentamente

seu sobretudo

de marca qualquer

Tímido, desabotoa seu sorriso

até rir intensamente

do casaco no chão

Agora é tarde

Mr. Miller já sabe

que atrás do espelho

há geleia gasosa

há cristal inquebrantável

e decide cruzá-lo

sem saber o que vai ser.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

...Silêncio

Poemas Místicos


sobre arte e criação



Colheita



Como vivem, morrem e caem

as folhas e os frutos

vivem, morrem e caem

os versos no papel

e brotam e se movem

pelo interior dos leitores.

29-12-84


Criação



Quantas palavras

Quantos poetas

Quantos caminhos

portas secretas...

29-08-84


Alguns frutos



Alguns poetas

brotam brandos e puros

crescem belos e fecundos



(alguns revoltam-se)



e murcham amargos

secos e sós.

09-04-85


Senhor



O escritor

dá o destino

dos vivos, dos mortos

do mal

dos mal-amados

com a mão

E quem comanda

a criação?

17-04-85


Artífice



O artista às vezes é

um pouco parente da gente

temos os traços de um

e os braços de outro

seguimos o gesto de algum

e o trajar de todos



- Sou prima de poeta

irmã de artesã



- Ah, como é bom ser artista

e ter mágica na vista!



Enriquecem nossos casebres

em brochura, gravura,

gravações, aparelhos

No retrato nome, sobrenome,

e assinatura

(que pedimos de joelhos)



Mesmo assim nos amam

são familiares

(que nunca temos)

precisam de nossos olhares

devemos dizer que os cremos.



(Os versos são para um avô

que me levou a versar).

17-04-85


Voto visionário



Os centésimos de segundo

não param

não esperam por você

voe até eles

e vaze o amanhã.

27-04-85


Uma confissão sem perdão



Somos larápios

emprestando poesia de outros

pra coroar nossa prosa

(que mal fala da rosa)

querendo engolir

as células dos sábios



Poe, toma teu terror

Pessoa, resgata vossa(s)

multiplicidade(s)

Blake, fecha as portas

Eliot, Shakespeare, Bandeira

rasguem toda a rota

se acharem-na torta,


Todos.

29-04-85


Hino-utilidade



De que adianta

ter-se

aviões, poetas,

lindas faces,

se não se sabe

como respirar ?

03-05-85

 
 
Pós-visão do brilho



Acho que sei

como quebrarão meus encantos

Acho que sinto

Como vazará meu instinto

serei como o poeta-suicida

findarei e voltarei

respiro após respiro

terei muitas vidas,

terei poucos anos,

talvez

Quantas vezes brilha

aquela luz

antes e depois?

07-05-85

 
Filme sem Fim



Quem não lembra

dos olhos de Gary Cooper?

Quem não apalpou as pernas

de Marlene Dietrich?

Glauber Rocha (foi?)

(e o vento, levou?)

Quantas tramas temos?

A trama sem nação

A terra sem tela

Os milímetros de emoção (antigos)

As calamidades de botões apertados,

O que revelaremos

da derradeira arte?


(Vamos parar em cena?)

09-05-85



Arte & Vendas (menos místico)



Procure as linhas

entre as entrelinhas

de uma música-comercial:

temos o romantismo-tablóide

de cifras e chifres

de um galã-de-novela

só as peças permanecem
aparente(mente) que é assim


“But what sells, sells.

That’s the law.”


Tradução simultânea:

“Mas o que vende, vende.

Esta é a lei.”
25-05-85

 
Pirâmides Permanecem...



Nas primeiras pirâmides

escondem-se os segredos

dos sangues, das dores, das crenças

-Uma pedra por cada vida!



Hoje, as pirâmides da polis

são tumbas isoladas

idolatradas, atadas

onde pequenos faraós

se enterram com ouros

de papel

- Cada vida por uma pedra!

26-05-85


Primeiro livro, última folha



A matéria

acaba,

mas não o

pensamento.

O espaço

Está em

N ó s.

27-05-85

...Silêncio

Personagens

(aqueles que passam da vida à virgula)


Para Fernando Pessoa


Da lágrima que nos rouba o rosto

Do tempo que passa em vão

Tu, vidente que me adivinha

os pensamentos de menininha

Que sonhar fosse a vida

E sonhar fosse então.

12-01-85


Mira o mar, Miró

Mira o mar, Miró

mira e admira

na beleza rara

nossa jóia cara

qual pétala bela

que teus encantos, na tela

criam e recriam.



O Mar de Miró

Nunca brilha só...

31-01-85

 
Aqui jaz Janis


Um disco diz:

Cantou

dançou

bebeu

amou.



Viveu, viveu

cantou, cantou

acabou-se

Morreu. Morreu (?)


(Quantas vezes viveu Janis?)

09-04-85


Cara Cora


Cora Coralina

ainda Aninha

preparou pra nós

nos seus livros

de capa de cobre

com sua mão-colher

poemas-doces

sabor de sabedoria.

15-04-85


Don’t go

Marilyn Monroe


Um coração

caiu no chão

(Que lugar-comum!!)

O roteiro se repete

a estrela, a vedete

tirou sua veste

de sedução



“Traga minha bebida

Traga minha vida

Traga meu homem

Que eles me consomem”



“Quero sumir

antes que alguém

me esqueça

Quero sorrir

antes que tudo

anoiteça...”



Uma garota

Põe seus pés

nos passos dos astros

linda, pequena

(Ainda é assim?)

FIM

01-05-85


Rimbaud imaginou...


Imagine Rimbaud

no século vinte

Talvez achasse que há

muita vida pra um só cronometro

muita carne pra um só osso

Ele entalharia tudo

E nos desenharia mutantes

atrás de nossos edifícios-fortalezas.

10-05-85

...Silêncio

Canções Curtas


(sobre música)


Tempos mortos



Morre a cantora

cala a canção

cai o velho castelo

onde embalei minha ilusão.

25-02-85


Ar Alugado



Demand of a poor man:

“A song, please.

A simple song!”



No passado

sabiamos solar

Atual-mente

vitrolas vazias

pronunciam, anunciam

suspiram por nós

Até quando tristes trastes

roubam nosso respiração?



(Onde anda o diapasão ?)



- O ar é vivo

miseráveis vilões

até pra traçar

vossas destruições...

16-04-85


Ritmos



O rock queima

a melodia arde

o nativo teima

o cidadão faz alarde



“O easy rider

o selvagem

o nauta

todos têm

sua pauta”.

16-04-85


Todos Blues



A guitarra produz

um acorde azul

a garganta tem

que riscar, rasgar

arriscar a toda conta

a torta, contra

as leis dos amantes,

dos monetários

dos longos monopólios

do baixo barulho

do alto azul (blue).

28-04-85